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Sigo as sombras que se formam no chão
Sinto a fria arma, apontada em vão
O som do impacto ecoa
Assustando a multidão
O tempo congela
No momento do clarão.
O velho gosto de metal
Preenche minha boca
Escorre pelo corpo
Manchando minha roupa.
O que era branco agora é vermelho
O que era esperança virou pesadelo.
De nada mais lembro e nada mais anseio
À medida que os litros jorram
O ar fica rarefeito
À medida que meu corpo esfria
Diminui meu desespero.
Gabriela Maltos
TOXICOLOGIA
Gotas de álcool
Misturadas
No destilado
Sangue.
Gotas de sangue
Destiladas
No misturado
Vexame.
Gabriela Maltos
Tango
“A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”
Pois dançar um tango eu não consigo
A dor aumenta aos poucos
O sangue se acaba
Então morro.
O médico me mandou
Ficar de repouso
Pior que ficar de castigo
É morrer…
Só porque não consigo
Fico exposta a radiação
Muito mais do que preciso
Anestesia local
Não anestesia o princípio.
O que me resta de tempo
Aproveito dormindo
“A única coisa a fazer
É tocar um tango argentino.”
Gabriela Maltos
