You are currently browsing the tag archive for the 'apartamento 52' tag.

Sei que desisto sem antes tentar

Mas isso é por que existo

Não quero pensar

Sei que insisto sem antes provar

Mas é que não provo

Sem antes gostar.

Sei que não gosto de acreditar

Mas é que não prezo

Sem antes prestar.

E disso eu tiro

O que deve ficar

As coisas mais findas

Eu tento abraçar

E sei que preciso

Urgente mudar

Mas é que o medo

Sempre dá um jeito

De me atormentar.

Gabriela Maltos

Quando você não dorme, tudo o que você vê, é em câmera lenta. Nada é real. Quanto mais você tenta dormir, menos você consegue. Cada minuto parece infinito. Meus remédios perderam o efeito… Um mais forte que o outro. Nada funciona. Conseqüentemente, eu não funciono.

“Esvazie sua mente. Tente não pensar em nada… Relaxe. Feche os olhos e não pense em nada. Pense em não pensar em nada. Pense em parar de pensar em não pensar em nada. Estou pensando…”

Quando você não dorme, tudo é uma cópia do que aconteceu. É algo parecido com um deja vu. As coisas acontecem numa velocidade inexplicável, você é incapaz de acompanhar. Qualquer luz provoca dor de cabeça… Qualquer som. Chega um tempo que você se torna letárgico. Seus olhos se fecham sozinhos e você perde total controle sobre seu corpo. Começa a pensar que, talvez seja hora de deitar e fechar os olhos de vez. Impor o sono. Tomar o tanto de remédio possível para descansar por um segundo.

O fogo que coça e faz meus olhos lacrimejarem. Fragmentos de impressões que na verdade não existem. Minha mente embaçada. As palavras saem erradas à medida que entram erradas. Posso dizer que não tive uma noite decente de sono há um ano. Hoje faz um mês. Nem uma hora por noite…

A esse ponto, o relógio não é seu amigo. Como disse: cada minuto parece infinito. O “tic” que precede o “tac” sempre demora mais do que o esperado. Uma hora demora uma eternidade para acabar… E na cama, quando você está no limite de conseguir dormir… As horas voam. E o despertador toca.

O fogo que coça e faz meus olhos arderem. Eu quero dormir. E o pior de tudo é que não tem ninguém me impedindo. Ninguém além de mim… Sem dormir você perde a noção do tempo. Não existe dia, não existe noite.

Eu ando sozinha pelas ruas, cambaleando, tentando manter meu corpo reto. Eu vejo vultos. Vejo coisas que não estão lá. Alucinações de uma mente cansada… Eu crio imagens na minha cabeça que um dia irão se virar contra mim.

Visão dupla e embaçada. Zunidos e batidas que criam uma música perturbadora dentro da minha cabeça. Eu vejo o sinal verde quando está vermelho. Eu vejo carros andando quando estão parados. Eu ouço pessoas conversando numa língua diferente… Eu não sei se estou acordada ou sonhando.

Como disse: Chega um momento que você perde controle do seu corpo. Reajo muito depois que as coisas acontecem ao meu redor. E, ao mesmo tempo, se algo acontece apenas na minha imaginação, reajo imediatamente. É como se estivesse num estado de transe. Minha respiração se torna intensa e lenta. Algo que nem eu entendo.

A insônia que me persegue…

Quando você não dorme, nada é real. Tudo é uma cópia de uma cópia da realidade. Tudo o que você vê, é em câmera lenta. E nada… nada funciona.

Gabriela Maltos

O Mistério do Pretérito Imperfeito


Esse é o grande problema

Do pretérito imperfeito

Seria melhor se não fosse

Pois o imperfeito bastava

Se fosse perfeito falava.

Talvez o futuro fosse viável

Mas de rei e ria me basta

As tragédias gregas

Quando a comédia vasta

Atrapalhar a canseira

Talvez o imperfeito beirasse a eira.

Mas cansarei de eira

Assim como um dia

Me cansaria de ira

Será que um dia descobriria

O grande problema

Do pretérito imperfeito?!

Acho que o problema não é o pretérito,

Mas sim o sujeito.

Gabriela Maltos


TUMOR MALIGNO

Minhas lembranças
Perderam a mobilidade
Não andam
Não caem.

Estagnadas no lóbulo frontal
Como um tumor
Que aos poucos se apodera
Do controle das coisas
Que aos prantos
Esmaga o controle do corpo
E estraga o console do morto.
E que pondera
O controle das coisas.

Minhas esperanças
Perderam a credibilidade
Não acham
Não sabem.

Esmagadas no córtex lateral
Como um câncer
Que aos poucos invade
A massa
E cessa as sinapses.
Estagna o console do corpo
E estraga o controle do morto.
E que pondera
O controle das coisas.

Gabriela Maltos

DANDO CORDA

O tempo é inimigo
O tempo é infinito
Eu temo o tempo
O tempo todo
Pois de infinito
Já me basta o desgosto
De inimigo
Já me basta o encosto
Me findo no tempo
Pois o tempo me aflige
Me perco no tempo
Pois o tempo é limite
Me acho no tempo
Pois o tempo corrige.

Gabriela Maltos

INVISIBILIDADE INVOLUNTÁRIA

Acho que estou desaparecendo.
Como se a fumaça
Fosse meu remendo.
Parece que do corpo
Eu me desprendo.

É como estar passado
No presente momento.
É como estar casado
Com um destino ciumento.

Acho que estou desaparecendo
Pois o que falo evapora
E o que fica demora.
Acho que estou desaparecendo
Pois o que falo ninguém escuta
Pois o que traço desestrutura.

Se por acaso eu aparecer
Farei o possível
Pra me encontrar.
É que diante de todo esse caos
Ainda não sei como me achar.
Eu acho…

Estou desaparecendo.

Gabriela Maltos

Outro poema do Ap.52

Inspirado involuntariamente na peça do Tatá… “Se eu fosse eu” (rolou aquela connection… escrevi antes de ver a peça e quando vi foi um resumo mto foda – que já havia colocado na poesia – dos meus sentimentos.

Mais uma poesia do até então não-publicado livro “Apartamento 52″ hehehe.

Breve! Talvez… Nunca se sabe. Quem sabe um dia eu publique! Um dia …

CONFISSÃO

Eu me despeço
Do olhar disperso
Que você deixou.

Eu me desperto
Do corpo coberto
Que você usou.

Eu me disperso
No beijo incerto
Que você roubou.

E no fundo eu sei
Que tudo é inverso
E que não há lei
No seu universo

Eu me despeço
Sem querer protesto
Sem querer confesso
Eu te amo.

Gabriela Maltos

É isso! Sábado na frente do computador… fazendo trabalhos. Ê beleza! Preciso de 5 coisas no momento:

- Um banho

- Uma xícara de chocolate quente

- Um cobertor (vários, de preferência sem poeira …)

- Remédio pra dor nas costas

- Minha mãe … (saudadeeee)

^^

Uma música da minha banda “Os Gomos” – pra quem não sabe, Os Gomos foi uma banda que surgiu do nada! Uma banda que na verdade hoje é um trio de amigos do teatro… O teatro TANGERINA da ESPM. Resolvemos descascar a fruta toda e percebemos que de gomo em gomo se faz um suco bão demais da conta viu! – É isso!

Quer ouvir mais músicas? é só acessar o link do MySpace ou o link do MyBand gomístico!!! :)

MINHAS FRASES SEMPRE TERMINAM

Letra e música: Gabriela Maltos

Sempre pego o sinal fechado
Sempre pego trânsito na 23 de maio
Sempre me perco no meio do mato
Sempre me pego pensando no seu abraço

E os dias … não passam
O tempo parou, quando você se foi
Eu queria … um prazo
Pra recomeçar a viver

Sempre esqueço de entender
Sempre tenho que ver pra crer
Sempre tento achar um por que
E o que posso fazer se minhas frases sempre

Terminam em você.

E os dias … não passam
O tempo parou, quando você se foi
Eu queria … um prazo
Pra recomeçar a viver sem você.

É ISSO AI GALERA! Um bjo pra quem curte os textos, poesias, músicas e os gomos da vida hehehe

Bom fds pra todos!!! :)

[Outro texto já postado no Apartamento 52 - se não me engano - mas que vale a pena postar novamente]

Coincidências

Será que a vida é mesmo uma série de coincidências? Por que se a gente pensar bem, as coincidências de maior importância passam despercebidas. Pessoas vêm e vão. Todos os dias, despercebidas.

A vida passa pelos nossos olhos gritando: “Ei, olha eu aqui!” e a gente continua cego. Depois quando é tarde demais pra alcançá-la, bate o arrependimento. E a gente pensa: “Como que eu não vi isso antes! Como que eu não percebi?”. A vida escorregando pelos dedos. Foi e não volta nunca mais.

Ai eu penso… Como nós podemos olhar pros outros se não conseguimos nem olhar pra nós mesmos? É realmente tão difícil se livrar da cegueira? Abrir os olhos pra quem sabe um dia encontrar o olhar do outro? Encontrar o olhar do outro olhando para dentro de nós. E encontrar no outro a nossa verdade. A nossa essência. Sem máscaras, sem preconceito, sem julgamento. Totalmente livre de intenções. Um olhar puro e verdadeiro. Um suporte.

Geralmente, se você estivesse na rua e encontrasse o olhar de um desconhecido, a primeira coisa que faria seria desviar seu olhar. Ficaria sem graça, tímido e deslocado.

A vergonha é maior do que a vontade de se entregar. O medo é maior do que a vontade de ser amado (mesmo que por uns segundos).

Aceitar um olhar é aceitar o amor. Pelo menos é o que eu acho. Dizem que os olhos são o espelho da alma. Então o que há de melhor para traduzir o amor do que um olhar?!

Agora vem a coincidência! Que, por incrível que pareça, não passou despercebida! Os grandes amigos que fiz, não fiz no bar ou na balada. Fiz num silêncio de um olhar. E a gente se entendeu naquele silêncio, mesmo sendo desconhecidos. E a cada dia que passa, os olhares se tornam transparentes. Sem preocupações, sem julgamentos.

Cada olhar é único. Cada olhar marca um momento da minha vida, pois é cheio de luz. E essa luz se transmite de várias formas. Num abraço, num toque suave de mãos, num carinho. Ela se propaga pelo olhar. É um ciclo energético… Uma coisa tão poderosa, tão clara, e ao mesmo tempo difícil de encontrar (ou de se ver). A luz que nos une é a mesma que nos liberta da cegueira. Uma energia que invade o corpo e transborda a alma. O amor.

Gabriela Maltos

Dedicado aos meus amigos! =)

Amo vcs

[Um texto velho do blog Apartamento 52, mas que vale pra começar esse novo blog]

Aqueles dias

A maçante idéia da falta de cafeína no sangue levanta sérias hipóteses de delirantes noites em claro não serem causa do meu problema crônico de insônia e sim a falta de coca-cola. Assim como os dias passam devagar quando não se tem nada pra fazer, e quando se está atrasado dois minutos vão-se no tempo de um.

As coisas mais simples de se montar parecem impossíveis quando se perde o manual de instruções. O último táxi parado sempre está com a luzinha apagada e sempre aparece alguém (do nada) para pegar o que está disponível. O sinal sempre fica verde quando você põe o pé no chão para atravessar a rua.

São aqueles dias que você acorda pensando que o mundo está girando ao contrário. Ou vai ver você está andando na direção oposta. Aqueles dias que você abre os olhos e a força da gravidade fala mais alto. A vontade de ficar deitado na cama é tão grande, mas tão grande… Que você desperta uma depressão até então inexistente.

O despertador toca, e você já meio acordado nem sequer espera ele tocar a segunda vez, já o desliga. Quando vai olhar as horas, pegou no sono e perdeu o horário. Correria, estresse e a causa do mau humor típico de 90% das pessoas numa segunda-feira as sete e quarenta e poucos da manhã.

Justamente nesse momento o sinal fica verde: quando você põe o pé no chão para atravessar a rua. (Lembrando que você está atrasado, e ainda tem que pegar o metrô – que por sinal vai estar lotado – para chegar ao trabalho e levar um esporro do seu chefe.)

E aí você, parado na esquina, esperando o sinal fechar, se encontra com um bando de desconhecidos. Cada um deles com a sua história, com o seu por que. Cada um com sua pressa. Cada um com o seu mundo particular.

E por uma fração de segundo você se desprende do seu corpo e vê essa cena. Uma segunda-feira nublada. Típico dia de São Paulo. Do seu lado esquerdo você vê executivos. Cada um com seu terno, sua mala e seu fone de ouvido. Do seu lado direito você vê alguns estudantes, uma senhora e seu York Shire e um casal de namorados de mãos dadas.

De repente um pequeno sorriso no canto da boca surge desprevenido. Aí você pensa em quão bela a vida é. E pensa naquela música que cairia perfeitamente praquele momento. O sinal abre, e aquele momento passa. Também passam as pessoas desenfreadas na sua frente e você volta subitamente à realidade. Entre empurrões e caras fechadas, você se pega sorrindo novamente, pois sabe que também é assim.

O medo constante do desconhecido nos deixa assim. O medo é a constante que rege, e de certa forma, liga nossas vidas. Medo da morte, medo de ter medo. Aquela mochila pesada que carregamos nas costas. Aquela máscara que colocamos no rosto todos os dias antes de sairmos de casa.

Medo de ser grande. Medo de errar. Medo de conseguir… Medo de seguir o coração e fazer o que acha que é certo. Medo de ser verdadeiro ou medo da verdade. Temos medo sem saber que na verdade não há verdade absoluta, mas sim a nossa própria verdade. A minha verdade, a sua verdade. A verdade interior. Isso é o que realmente importa no final. Como você se sente no fim de tudo. Se todo esse medo que você sentiu valeu a pena ou não.

Eu sinto medo o tempo todo. Medo de não ter tempo, medo de ser grande demais e não conseguir me sustentar depois. Sabe? Quando alguém cria uma expectativa de você, e quando te conhece acaba se arrependendo? Sinto medo de causar esse impacto negativo nas pessoas.

Sinto medo de me envolver demais com alguém. Sinto medo de amar demais alguém. Porque uma coisa é certa nesse mundo: Tudo que vai, volta. Mas se eu nunca amar ninguém, como alguém um dia pode me amar? Se eu ficar pensando demais na vida, ela vai passar diante dos meus olhos e eu não vou viver…

São aquelas coisas de criança. Quando você é pequeno quer ir sempre ao escorregador mais alto. Ai chega ao topo, olha pra baixo e muda de idéia. Quantas vezes já não desistimos de descer o escorregador mais alto por medo de tentar? Ai um dia, você cria aquela coragenzinha, que lá no fundo se mistura com um pouco de vergonha por “não ter ido ao escorregador até hoje” e vai. E você percebe que aquele medo era uma besteira. E percebe que perdeu tanto tempo pensando que fosse se machucar… E ai você vai de novo, e de novo, e de novo… Até cansar.

Hoje estava parada no trânsito e vi uma cena, no mínimo, inusitada. Uma mãe de mãos dadas com seu filho e mais duas amigas conversando, esperando o sinal fechar para atravessar a rua quando outra mulher e sua filhinha se aproximavam. O menino abriu os braços e pulou na frente da menininha. As mães se assustaram, não tinham idéia do que estava acontecendo. Ali ficou claro que as duas não se conheciam. As crianças se abraçaram. Foi um abraço tão puro e carinhoso. Livre de intenções. Foi simplesmente um abraço. As mães abriram um sorriso e seguiram seus caminhos opostos.

O caso não tem muito a ver com medo de tentar, mas nos mostra como somos frios e egoístas hoje. E pensar que em dez, quinze anos aquelas crianças vão andar nas ruas com seus óculos escuros e seus iPods. Nem sequer olhando nos olhos uma das outras. Com tanta coisa boa por aí, tanta gente boa. Tudo que a gente vê é tragédia e maldade. E a gente vai se acostumando… E vai ficando calado, e deixando de se preocupar com o importante.

Eu também já sofri. E ainda sofro. Não é meu sofrimento que faz de mim uma pessoa mais ou menos vivida do que outra. Tenho muitos medos, assim como todo mundo. Todo mundo sente medo porque até onde eu sei, todo mundo é mundo. O que a gente tem que ter é força pra enfrentar esses medos. Não importa o preço a pagar, não importa o que tivermos que sacrificar. Se valeu a pena, foi verdadeiro.

Gabriela Maltos

Obrigada a todos os leitores! :)

Beijos e bom fim de semana!!!